Arraes fala sobre experiência da pesquisa brasileira na África

O Diretor-Presidente da Embrapa, Pedro Arraes, esteve em Johannesburg, na África do Sul, participando de importante fórum internacional: o “African Ministerial Conference on Climate-Smart Agriculture”, realizado nos dias 13 e 14 de setembro. Promovido pelo Departamento de Agricultura, Floresta e Pesca da África do Sul e pela União Africana de Nações, contou com o patrocínio do Banco Mundial.

Temas como segurança alimentar e mudanças climáticas foram amplamente discutidos, especialmente as práticas utilizadas na agricultura e que são consideradas “clima-inteligentes”. Vários sistemas de produção têm sido utilizados por agricultores para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, visando à adaptação às mudanças climáticas e reduzindo as vulnerabilidades.
 
Pedro Arraes levou para o fórum a experiência da agricultura brasileira que utiliza, em seus campos, práticas agrícolas tradicionais (agricultura familiar) ao lado explorações altamente tecnificadas do agronegócio. Isso é possível porque a pesquisa tem se preocupado em gerar e recomendar tecnologias que não provoquem impactos negativos no meio-ambiente. Segundo ele “essa intensificação produtiva e que não agride o ambiente poderá ser implementada em áreas já alteradas pelo homem e subtilizadas”.
 
Exemplos de tecnologias brasileiras que têm preocupação com a sustentabilidade e a preservação ambiental é o que não faltam no Brasil. O sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta é uma estratégia de produção sustentável que integra atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotacionado, buscando efeitos sinérgicos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.
 
Outro exemplo são as pesquisas desenvolvidas pela Embrapa para antecipar os efeitos das mudanças climáticas na incidência de pragas e doenças (Climapest), que buscam alternativas para minimizar os efeitos do aquecimento global na produção de alimentos. O desenvolvimento de cultivares de soja que resistem às intempéries do clima, como cultivares com maior tolerância à seca, podem reduzir consideravelmente os efeitos das mudanças do clima.
 
Os ministros africanos ouviram atentos à exposição do Diretor-Presidente da Embrapa, que falou a representantes ministeriais de cerca de 30 países africanos e seus respectivos meios de comunicação. Arraes falou também sobre a experiência da instituição na validação das tecnologias brasileiras  por meio de projetos de cooperação técnica em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação, órgão do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
 
“A produção agrícola deve expandir-se por meio de uma crescente e constante incorporação tecnológica aos sistemas produtivos tradicionais, respeitando-se a realidade socioeconômica do local, e por intermédio da adoção de novos sistemas produtivos ambientalmente responsáveis, e sempre que possível, precedidos de estudos edafoclimáticos (solo e clima), visando uma maximização do uso dos recursos naturais”, enfatizou Arraes. 
 
Ele encerrou sua fala destacando o comprometimento da empresa com a cooperação científica e técnica com vários países africanos afirmando que “estamos prontos para trabalhar juntos, não como doadores, mas como um verdadeiro parceiro que enfrenta desafios semelhantes”
Publicidade