Plataformas África-Brasil e LAC-Brasil financiam projetos de cooperação

A Plataforma África-Brasil de Inovação Agropecuária e a Plataforma América Latina e Caribe-Brasil de Inovação Agropecuária recebem pré-propostas até o dia 29 de fevereiro para financiamento de projetos que visam estabelecer cooperação em prol do desenvolvimento da agricultura na África, no Caribe e na América Latina.

Para o pesquisador Edson Guiducci, da Embrapa Hortaliças (Brasília-DF), a essência das plataformas é um espaço para diálogo direto entre pesquisadores em perspectiva bilateral. “Nas duas plataformas, há possibilidade da Embrapa ampliar seu conhecimento”, ressalta.
 
Entre as pré-propostas submetidas por pesquisadores da Embrapa Hortaliças consta um projeto de cooperação com a Argentina referente ao programa alho livre de vírus, cujo objetivo principal é identificar quais vírus afetam as lavouras nas áreas de produção de ambos os países e desenvolver métodos de detecção.
 
Na área de agricultura orgânica, Cuba deve ser um provável parceiro do Brasil. O pesquisador Francisco Vilela vislumbra aplicar em terras brasileiras a técnica cubana de produção de hortaliças em sistemas orgânicos sem solos, denominados organopônicos. “Neste modelo, os substratos ficam em canteiros de alvenaria ou madeira, dispostos em áreas urbanas e periurbanas para atender os mercados próximos”, explica.
 
Segundo ele, essa pode ser uma boa alternativa para cidades como Vitória da Conquista/BA, Petrolina/PE e Sete Lagoas/MG, que utilizam lotes vagos e áreas públicas como canteiros centrais de avenida para o plantio de hortaliças. “O sistema organopônico é uma opção para este público”, acredita. 
 
Em contrapartida, o pesquisador pretende implantar a consorciação de culturas no sistema organopônico cubano. “Há pouca diversificação e eles estão interessados em poder, por exemplo, nas entrelinhas de um canteiro de alface, fazer um consórcio com plantas aromáticas e medicinais”, ilustra.
 
Ainda na Plataforma LAC-Brasil, a Unidade prevê uma parceria com a Venezuela. De acordo com o pesquisador Nuno Madeira, “o intuito é criar um rede em torno da mandioquinha-salsa para discutir boas práticas no cultivo, principalmente no que se refere aos meios de propagação e às práticas conservacionistas como o plantio direto”, informa.
 
O sistema plantio direto também figura na pré-proposta articulada com o Malawi na Plataforma África-Brasil. O propósito é utilizar essa prática conservacionista para desenvolver hortaliças convencionais e não-convencionais em um ambiente de montanha. Para o pesquisador Carlos Eduardo Pacheco, “é válida a troca de informações e experiência, principalmente em um contexto de agricultura sustentável e de baixa emissão de carbono”.
 
As pré-propostas submetidas em ambas as plataformas devem ser avaliadas e selecionadas até o dia 12 de março, quando será realizado o convite para o envio das propostas completas, que deverão ser submetidas até dia 09 de abril. O resultado final, com as propostas selecionadas, será informado até o dia 16 de abril.
Publicidade