África atrai mais capital e abre oportunidades para o Brasil


SÃO PAULO / SP DCI – POLÍTICA ECONÔMICA – PÁG. A4 - 18/12/2012

O número de projetos de Investimento Estrangeiro Direto (IED) na África cresceu cerca de 27% em 2011 em relação a 2010 . Segundo dados do estudo "Africa by numbers - Assessing market attractiveness in Africa", produzido pela consultoria internacional Ernst & Young, o mercado africano tem sido muito promissor mas é preciso tomar cuidado com os riscos e diferenças regionais de cada país do continente.
"Nós estamos animados e muito positivos sobre a África. Nós somos otimistas, mas otimistas realistas. Isso principalmente porque nós acreditamos que isso cria uma mentalidade positiva para o sucesso na África. Se você se propôs a esperar dificuldade e risco você vai encontrar isso. Contudo, esse não é o ponto de vista por anedotas e ilusões, os números falam por si mesmos", disse Ajen Sita, Presidente da Ernst & Young África.
Sobre as anedotas, o relatório reitera aos empresários que pretendem investir no continente que é importante não se focar em informações antigas, pois a realidade de 10 anos atrás de alguns países é distinta da de hoje.
Segundo dados do estudo, o progresso é ressaltado por uma mudança substancial na mentalidade e atividades entre próprios africanos. Além disso, a análise também considera que o resultado de crescimento é apoiado pelo progresso econômico e social de muitos países. A consultoria também coloca que o continente se constrói como uma alternativa ao mercado asiático que é "supercompetitivo" e a outros mercados de crescimento rápido. Entre as dificuldades gerais do continente está a questão da pouca integração regional.
O estudo classificou os países segundo seu nível de risco; as Ilhas Maurício ficaram como o país com menor risco, a África do Sul, como o terceiro. Moçambique atingiu a décima nona posição e a Somália ficou em último.

África do Sul

Segundo Willem Der Spuy, cônsul econômico da África do Sul no Brasil, o país é atualmente um dos mais sofisticados e promissores mercados emergentes por ter, entre outras coisas, estabilidade política e econômica com gestão macroeconômica, setores indústrias competitivos, custo favorável de fazer negócios, abundância de recursos naturais e se constituir como uma porta de entrada para o continente africano.

Segundo ele, o país oferece às empresas brasileiras oportunidades nos setores de agronegócios, componentes automotivos, energia renovável e fabricação de metal e transporte.

Segundo o cônsul, o continente como um todo tem sido afetado com as "dificuldades econômicas em mercados como a Europa e os Estados Unidos [que estão mostrando alguns sinais de recuperação] mas continuam a afetar a demanda global, impactando na maioria dos países. O continente Africano é uma das regiões de mais rápido crescimento no mundo, oferecendo ainda alto retorno sobre o investimento" .

Ele também destaca iniciativas intra e inter-regional, incluindo a evolução em torno de um futuro Acordo de Livre Comércio (Free Trade Agreement - FTA) com a Comunidade Sul-Africana para o desenvolvimento (Southern African Development Community SADC), o Mercado Comum da África Oriental e Austral ( Common Market for Eastern and Southern Africa COMESA) e a Comunidade do Leste Africano (East African Community - EAC), o que significa um mercado de 700 milhões de consumidores.

Moçambique

Moçambique é um dos principais países africanos com a presença de empresas brasileiras, segundo Rodrigo Oliveira, diretor da Câmara de Comércio, Indústria e Agropecuária Brasil - Moçambique o que mais atrai as companhias nacionais ao pais é principalmente a cultura parecida e ter o português como língua oficial. "Com relação à política de investimentos se intensificou bastante com a definição de politica sul - sul", disse.

Os setores destacados pelo representante da câmara são: agricultura, infraestrutura e mineração. As principais empresas brasileiras já presentes no país são a Vale, Andrade Gutierrez, Camargo Correia e Odebrecht.

Entre as dificuldades colocadas por Oliveira está o fato de que os moçambicanos ainda não tem uma cultura de mercado já que estão passando de um modelo socialista para um capitalista. "Uma dificuldade ainda é a falta de codificação das normas e leis que também estão em processo de consolidação", completou. 

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