Na África, agricultura virou a última opção de carreira

Uma forma de evitar que os jovens saiam de áreas rurais é proporcionar-lhes oportunidades para tornarem-se mais do que trabalhadores rurais...
SÃO PAULO / SP FINANCIAL TIMES - VALOR ECONÔMICO – AGRONEGÓCIOS – PÁG. B11 - 27/01/2013

Uma forma de evitar que os jovens saiam de áreas rurais é proporcionar-lhes oportunidades para tornarem-se mais do que trabalhadores rurais. Esse é o objetivo de um programa financiado pela Fundação MasterCard e operado pela TechnoServe, uma organização americana sem fins lucrativos.
 
O programa será implementado em três países: Quênia, Ruanda e Uganda. E tendo em vista que o desemprego juvenil é um problema ali, sobretudo em áreas rurais, o desafio é mudar a cultura em que os jovens veem a agricultura como última opção de carreira. "Historicamente, sabemos que não é possível ganhar muito dinheiro com agricultura", diz Bruce McNamer, presidente da TechnoServe.
 
Para mudar isso, a MasterCard investirá US$ 11,5 milhões nos quatro anos do programa Fortalecimento do Desenvolvimento da Juventude Rural através de Empreendedorismo (Stryde, em inglês).
 
A operacionalização do programa está a cargo da TechnoServe, que equipa empresários no mundo em desenvolvimento para que possam criar empresas que geram empregos e reduzem a pobreza.
 
O objetivo do Stryde é proporcionar a cerca de 15 mil jovens que vivem em áreas rurais a capacitação, desenvolvimento de negócios e orientação para ajudá-los a aproveitar
oportunidades na cadeia de agregação de valor agrícola. "A aspiração do programa é de caráter comercial e ele será avaliado dessa forma", explica McNamer.
 
A avaliação de impacto, segundo ele, deverá se concentrar em quantas pequenas empresas terão sido criadas e quantos postos de trabalho terão sido gerados como resultado do esforço, bem como o efeito de longo prazo de conversão de áreas rurais em lugares onde os jovens possam ganhar dinheiro.
 
Oportunidades para os empreendedores podem incluir a criação de pequenas empresas fornecedoras de insumos agrícolas, disponibilizar recursos logísticos, infraestrutura para armazenagem ou oferta de irrigação, embalagens ou serviços de pulverização agrícola.
 
"É abrangendo um conjunto mais amplo de abordagens que podemos tornar mais atraente a vida numa área rural, examinando mais do que só a agricultura propriamente dita e focando a criação de empresas", diz McNamer.
 
Isso, diz ele, significa ajudar a desenvolver modelos comerciais agrícolas robustos que permitam aos jovens considerar a agricultura como uma oportunidade de negócios. O próximo passo é proporcionar capacitação e acesso ao capital para financiar essas empresas.
 
Nos países alvo visados, poucas dessas oportunidades foram assumidas por jovens, em grande parte devido à falta de formação ou indisponibilidade de capital.
 
Para essa razão, o esquema tem forte ênfase em educação. Os participantes embarcarão em um programa de treinamento de três meses destinado a desenvolver empreendedorismo e habilidades para o desenvolvimento de carreiras, e eles receberão um período adicional de nove meses de aconselhamento e orientação de um treinador de jovens.
 
Eles também poderão participar de competições com planos de negócios concorrentes e participar de feiras de emprego onde se encontrarão com representantes de empresas locais. "Nem todo mundo se converterá em empreendedor", diz McNamer. "Mas, na medida em que haja um conjunto de oportunidades na cadeia de valor, haverá também potencial para a formação de pequenas empresas que tenham oportunidades de criação de emprego em torno de si".
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